Terça-feira, Julho 04, 2006

USB sem fio está saindo dos laboratórios


Segunda, 3 de julho de 2006, 19h28

Uma nova forma de USB, o Wireless USB (WUSB), poderá se tornar o padrão em breve. A interface permitirá a todos os dispositivos se conectar entre si sem fio, numa implementação específica introduzida pela Intel há pouco tempo, segundo noticia o site Geek.com.

Pretendendo ser uma interface única e padronizada para equipamentos que vão de iPods a impressoras, scanners, máquinas de fax, câmeras digitais e praticamente qualquer periférico, o WUSB é rápido, fácil de usar e deverá ser adotado por praticamente todos os novos dispositivos.

O mercado potencial para o USB sem fio é estimado em 300 milhões de unidades em 2010, de acordo com uma pesquisa de mercado apresentada por Jeff Ravencraft, presidente do Fórum de Implementadores USB, durante uma conferência para desenvolvedores certificados de WUSB.

A nova interface utiliza uma faixa de onda do espectro de rádio atualmente não licenciada em todas as nações. No momento, o uso desta faixa está aprovado apenas nos Estados Unidos, sendo adotado no Japão em julho. Outras regiões, como Canadá, Coréia e Europa devem adotá-lo até o final do ano, e a China deverá fazê-lo em 2007.

O WUSB irá operar utilizando velocidades USB 2.0 e taxas de transferência de até 480 Mbits por segundo, ou seja, cerca de três vezes mais rápido que a taxa de transferência da dados dos HDs atuais.


Fonte: Magnet


Achei bem interessante isso... Quando será que essa faixa de onda do espectro de rádio vai ser licenciada no Brasil? =P

NOSSA!! Passei em circuitos!


Nossa... ainda bem que eu passei em circuitos xD

To felizão...

Da uma zoiada nas notas xP~~

Domingo, Julho 02, 2006

Arma de elásticos feita de lego xD

A uns dias atrás Fergo me mostrou um video que demonstrava atiradoras de elástico automáticas feitas de lego. Ontem eu estava com um pouco de tempo livre e resolvi tentar.
Ainda não é automática mas é um começo.


Figura 1: Armada

Figura 2: Vista lateral


Figura 3: Desarmada

Veja também o video de demonstração xD~~



Domingo, Agosto 14, 2005

800 GigaBytes em um único disco - Por B.Piropo

Por acaso minha primeira coluna neste Fórum versava sobre dois novos padrões que disputam o mercado dos DVD (“A Guerra do DVD”, postada em 09 de janeiro deste ano). E, também por acaso, logo depois mergulhei no mundo da nanotecnologia discutindo o que o futuro reserva para a conhecida Lei de Moore, segundo a qual o número de transistores dos circuitos integrados dobra em intervalos regulares.

Os dois padrões que brigam pelo mercado do DVD chamam-se Blu-Ray e HD-DVD. Ambos apelam para o uso de um raio laser azul (violeta, para ser exato) de comprimento de onda da ordem de 0,4 micron (portanto menor que 0,65 micron, o comprimento de onda dos raios laser vermelhos usados nos CD e DVD convencionais) para aumentar a “densidade de dados” gravados, já que com um comprimento de onda menor é possível reduzir tanto a distância entre espiras sucessivas da trilha quanto o tamanho dos ressaltos usados para desviar o raio laser refletido (veja mais detalhes na coluna “A Guerra do DVD” acima citada). O formato Blu-Ray pode armazenar até 50 GB (GigaBytes) em uma única face enquanto o HD-DVD chega a 30 GB. Segundo as últimas notícias (veja artigo “Next-generation DVD formats rally support” de Richard Shim, gravadores no formato Blu-Ray deverão ser lançados no início do próximo ano e recentemente parceiros do quilate da Texas Instruments, Sun Microsystems, Vivendi Universal Games e Electronics Arts aderiram ao padrão Blu-Ray já defendido por Sony, HP e Dell, entre outras. Já a tribo do HD-DVD, capitaneada por Toshiba, NEC e Sanyo, recebeu a adesão de gigantes do entretenimento como a Paramount, Warner, HBO e Universal Studios, que anunciam para breve o lançamento de cem títulos de sucesso, incluindo Harry Potter, Batman, Superman, e algumas séries de TV americanas como “The sopranos”, “ER” e “West Wing”, tudo no padrão HD-DVD, naturalmente. Portanto, longe de acabar com a vitória de um dos grupos, a guerra está cada vez mais acirrada.

Já nanotecnologia, conforme definida na coluna “Lei de Moore: até quando – VI Malhas moleculares” aqui mesmo neste Fórum, é o ramo da tecnologia que lida com dispositivos cujo tamanho é menor que 100 nanômetros (milionésimos de milímetro). E aconselhava: “Para ter uma idéia do que isso significa, leia a coluna ‘O rápido e o pequeno’, a segunda da série” que publiquei aqui no Fórum. Reitero o conselho.

Embora pareça, o objetivo desta coluna não é fazer propaganda das anteriores. É tão somente lembrá-las para evidenciar um fato curioso: o mundo moderno não apenas está presenciando um avanço tecnológico sem precedentes como está vivendo uma interessante fusão de tecnologias aparentemente independentes (quem poderia prever, nos primórdios das eras das telecomunicações e da informática, que depois de algumas décadas elas estariam tão indissoluvelmente ligadas como hoje em dia?)

Pois bem: eu apenas citei as colunas que versavam sobre DVD e nanotecnologia porque, curiosamente, a nossa bem conhecida Iomega, a empresa responsável por dispositivos de armazenamento inovadores como o Zip Drive e o Jaz Drive, acaba de anunciar que patenteou um novo (mais um!) padrão de codificação de dados em DVD usando um método que apela justamente para a nanotecnologia para aumentar de quarenta a cem vezes a capacidade dos discos atuais (ou seja, chegando a quase inconcebíveis 800 GB por face) e cuja taxa de transferência de dados será de cinco a trinta vezes mais elevada (podendo, portanto, chegar a 300 MB/s).

A nova tecnologia foi objeto da patente US Patent No. 6.879.556. Se você quiser examinar seus detalhes, vá até o banco de dados de patentes americanas e leia o texto completo da United States Patent 6.879.556. Mas como desconfio que você vai se sentir um tanto deslocado no meio daquela enxurrada de termos legais em inglês, aqui vai uma tradução do sumário do objeto da referida patente:

“Método e aparelho para armazenamento ótico de dados: Um disco ótico incluindo diversas trilhas, cada uma delas incluindo uma série de elementos de dados óticos. Cada elemento de dado ótico inclui diversas superfícies refletoras com respectivas e diferentes orientações que representam as informações armazenadas. Um sistema de detecção aponta um raio laser para sucessivos elementos de dados óticos. As múltiplas superfícies refletoras de cada elemento ótico de dados produzem múltiplos sub-raios refletidos que são captados pelas regiões respectivas de um detector. Cada sub-raio será refletido em uma posição determinada na região correspondente do detector, que pode ser relacionada com a orientação da superfície refletora correspondente e portanto com a informação armazenada, representada pela dita superfície”

Deu para entender? Bem, patentes são naturalmente obscuras. Elas não costumam descer a detalhes dos dispositivos patenteados porque, sendo públicas, seriam um extraordinário manancial de segredos industriais. Sua função é apenas descrever a coisa da forma mais confusa possível, porém suficientemente clara para impedir os concorrentes de fabricar algo parecido. Portanto, mesmo após uma leitura detalhada da patente, não dá para se ter a exata idéia de como será o dispositivo.

Mas dá para perceber que será algo semelhante a um DVD, porém com diversas trilhas paralelas (se é que o adjetivo “paralela” se aplica a espirais; mas presumo que você tenha entendido o espírito da coisa), cada uma delas contendo complexas (pelo que entendi, multifacetadas) estruturas refletoras em escala nanométrica, que “partem” o raio laser incidente, distribuindo-o em diversas direções simultâneas. Estes “sub-raios” serão captados por sensores que, dependendo da posição em que foram atingidos pelos feixes de laser, reconstituirão os dados digitalizados.

No momento tudo que há é a idéia e a patente. Segundo artigo “Iomega aiming for 800GB DVDs” também de Richard Shim, a Iomega planeja comercializar o produto e está procurando parceiros para fabricar os dispositivos de armazenamento (discos).

E promete divulgar maiores detalhes sobre a tecnologia no Simpósio do consórcio de indústrias de armazenamento de informações que ocorrerá dentro de dois meses em Monterrey, CA, EUA.

É aguardar para ver...

Quarta-feira, Junho 22, 2005

Lei de Moore: até quando? – VIII Final: nanotubos de carbono - Por B.Piropo

O carbono é um elemento interessante. Para começar, sem ele, você não estaria lendo esta coluna. Não porque ele seja um elemento essencial à coluna, mas porque ele é um elemento essencial a você. Pois cada célula que compõe essa máquina formidável que é seu corpo, do cérebro aos intestinos, é formada por substâncias cuja base são cadeias de carbono, o principal constituinte da matéria orgânica. Além disso ele pode se apresentar puro na natureza, com aspectos tão distintos como a grafite da ponta de nossos lápis até o diamante. Ambos são carbono puro. E, por paradoxal que pareça, hoje nos interessaremos mais pela grafite que pelo diamante.

Se você conseguisse visualizar um átomo do elemento carbono perceberia que as órbitas de seus elétrons mais afastados do núcleo se distribuem de modo a formar uma figura com três “pontas” que formam ângulos de 120 graus umas com as outras. Se houver outros átomos de carbono livres nas imediações, eles se ligarão por estas “pontas” formando uma estrutura que lembra a configuração interna de uma colméia de abelhas. Uma dessas estruturas (que, distribuída em um plano, forma uma camada) é mostrada na Figura 1, onde cada pequena esfera representa o núcleo de um átomo de carbono ligado a três outros.

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Figura 1

O material formado por um conjunto destas camadas é o grafite. A ligação entre os átomos de cada camada é muito forte, mais forte ainda que a dos átomos de carbono cristalizados em um diamante. Mas, no grafite, são as camadas que não se ligam fortemente umas às outras e o material formado por elas se desmembra facilmente (ou seja, a dureza do grafite é muito pequena).

Neste ponto, uma pequena digressão. Pegue um maço de folhas de papel e experimente construir uma estrutura qualquer com elas. Você logo descobrirá que a tarefa é praticamente impossível porque as folhas não apresentam rigidez suficiente. Agora, pegue algumas folhas, enrole-as sobre elas mesmas e prenda com pequenos pedaços de fita adesiva, de modo a formar cilindros de papel. Repare como a simples mudança de forma conferiu rigidez ao papel. Agora você pode usar os cilindros como se fossem pilares e vigas e montar facilmente sua estrutura de papel.

Pois algo muito parecido ocorre com as camadas formadas por átomos de carbono. Pegue uma delas, de formato retangular, e una duas de suas arestas laterais para formar um cilindro, ou tubo. O resultado é uma estrutura como a mostrada esquematicamente na Figura 2. Como cada esfera corresponde a um átomo de carbono, as dimensões da estrutura da Figura 2 são extraordinariamente pequenas. Dependendo da forma como foi gerado, o diâmetro de um tubo como o da figura pode variar ente um nm (nanômetro, ou milionésimo de milímetro) a 25 nm. Por isso essas estruturas recebem o nome de “nanotubos de carbono”.

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Figura 2

Um nanotubo de carbono é uma coisa extraordinária. Suas perspectivas de uso futuro vão de componentes de tintas até lâmpadas fluorescentes. Eles poderão ser usados para fabricar máquinas microscópicas. Mas o que nos interessa é seu uso na eletrônica. (veja uma vista lateral de um nanotubo extraordinariamente ampliado na Figura 3).

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Figura 3

Uma das propriedades que tornam os nanotubos de carbono tão excepcionais é o fato de suas características elétricas variarem de acordo com a forma pela qual a camada plana foi “enrolada” para formar o tubo. Se ela for enrolada sobre si mesma de modo a manter a linearidade da estrutura, como o tubo mostrado acima e à esquerda na Figura 4 (obtida de material de divulgação da Intel), o nanotubo será um excelente condutor de eletricidade, com resistividade menor que a do cobre. Mas se a camada sofrer uma ligeira torção antes de ser enrolada (esta torção denomina-se “quiralidade” e é uma propriedade da configuração espacial de estruturas atômicas) como os tubos mostrados na parte superior direita da Figura 4, o nanotubo se comportará como um semicondutor.

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Figura 4

Os nanotubos de carbono como condutores elétricos terão, evidentemente, grande importância na eletrônica digital. Mas, para os efeitos desta série, o que nos interessa é seu emprego como material semicondutor em substituição ao silício atualmente empregado na fabricação de microprocessadores.

Na coluna anterior, a penúltima desta série, discutimos os transistores do tipo tri-gate, onde a ligação entre fonte e dreno se faz por finíssimos filetes ou “canais” de silício, usado como material semicondutor. Evidentemente, quanto menor o seção (ou o diâmetro) destes canais de material semicondutor, menores poderão ser os transistores e maior número deles poderão se acomodar em um microprocessador, estendendo a vida útil da Lei de Moore. Na mesma coluna chegamos a mostrar imagens fornecidas pela Intel, obtidas através de microscopia eletrônica, onde se viam filetes de silício com diâmetro da ordem de cinco nanômetros. Que, aparentemente, é o mínimo que se pode obter com a tecnologia atual.

Então, o que fazer para reduzir ainda mais o diâmetro dos filetes de material semicondutor que unirão fonte e dreno dos futuros transistores? Ora, você já deve ter percebido: mudar o material semicondutor. Usando, por exemplo, nanotubos de carbono, que podem ter diâmetro de até 1 nm.

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Figura 5

A Figura 5, acima, obtida por microscopia eletrônica e exibida pela Intel em seu IDF Spring 2005, mostra justamente isto, em um dispositivo ainda em fase de protótipo. A grande mancha clara, em forma de “L” invertido na parte superior da figura, é o dreno do transistor. A outra mancha clara, horizontal, na base da figura, é a fonte. Entre elas, atravessando a figura horizontalmente, há uma faixa mais escura que se liga a uma massa de mesmo tom no canto inferior direito: a porta e seu eletrodo.

Mas o que une o dreno à fonte? Para que esse dispositivo seja um transistor, tem que ser um canal de material semicondutor que conduza corrente quando houver tensão na porta e que interrompa esse fluxo de corrente quando esta tensão for suprimida. No caso da Figura 5, este canal é constituído por um nanotubo de carbono (com características de semicondutor) com diâmetro de apenas 1,4 nm. Para percebê-lo, há que olhar a figura com atenção, pois ele é quase imperceptível. Sua trajetória é “enviezada”, estendendo-se de próximo ao canto inferior esquerdo da figura até perto do canto superior direito . Para facilitar sua localização, o trecho que se vai de fonte a dreno é assinalado pelas pequenas setas negras com manchas amarelas.

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Figura 6

A fabricação de nanotubos de carbono já é feita em laboratório sem dificuldades. A Figura 6 mostra, em seu lado esquerdo, um emaranhado deles, recém-fabricados. Mas entre fabricar um negócio desses e manipulá-lo para compor um dispositivo eletrônico há uma grande diferença. Como colocar um filamento cujo diâmetro é da ordem de um milionésimo de milímetro, cem vezes menor que o tamanho de um vírus, exatamente na posição que desejamos no interior de um microprocessador? São problemas como esse que ainda impedem o uso industrial de nanotubos de carbono. Mas também eles estão sendo enfrentados nos grandes laboratórios de pesquisa. Por exemplo: no lado direito da mesma Figura 6 pode ser visto um conjunto de nanotubos de carbono quase perfeitamente alinhados devido à ação de um campo elétrico.

Em suma: como em toda tecnologia inovadora, há problemas práticos a serem resolvidos antes que microprocessadores que se utilizam de nanotubos de carbono como material semicondutor entrem em processo de fabricação industrial. Mas a ciência tem se mostrado capaz de resolver problemas que há relativamente pouco tempo pareciam insolúveis. E nada indica que seja diferente com as tecnologias que substituirão o processo atual de fabricação de microprocessadores, seja a malha molecular, sejam os transistores tri-gate, sejam os nanotubos de carbono (ou outras, como a “spintrônica”, ramo da eletrônica que lida com o “spin”, movimento de rotação dos elétrons que se movimentam em torno dos núcleos dos átomos, que não foram abordadas aqui para não tornar essa série ainda mais enfadonha).

Portanto, quem teve suficiente pertinácia para chegar até aqui, certamente se inteirou de dois fatos:

O primeiro é que a tecnologia atual de fabricação de microprocessadores, usando camadas de silício cada vez mais finas, tem seus dias contados. Ela sobreviverá ainda por no máximo mais quinze ou vinte anos, quando esgotará todas as possibilidades de evoluir.

O segundo é que isso não impedirá que a Lei de Moore continue vigendo. O número de transistores por microprocessador continuará dobrando a cada período determinado. O que mudará será a tecnologia empregada para atingir esses números. Que já estão na casa dos bilhões.

Quem viver, verá.

B.Piropo